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Sessão da Câmara de Wanderley tem embate entre vereadores, decisão judicial e denúncias de sabotagem a poço artesiano

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Casa legislativa viveu noite de tensão nesta segunda-feira (21), com discussões acaloradas entre parlamentares, anúncio de liminar que suspende atos de comissão processante e relatos de ataques a obras de infraestrutura

A Câmara Municipal de Wanderley realizou, na noite desta segunda-feira (21 de setembro de 2026), mais uma sessão ordinária marcada por momentos de tensão. A reunião, que teve início com a leitura de um texto bíblico pelo assessor Leno e a oração do Pai Nosso, rapidamente se transformou em palco de embates políticos que dominaram praticamente toda a pauta.

Tribuna livre e troca de acusações

Logo após a leitura das matérias do expediente, o carteiro Alex Gomes da Silva fez uso da tribuna livre para se defender de supostas referências feitas pelo vereador Geremias Mascarenhas durante a sessão do dia 14 de setembro. Alex afirmou ser o único carteiro em atividade no município e disse ter sido associado a acusações de “ladrão de terras” e de irregularidades junto ao INSS.

Em resposta, o vereador Geremias Mascarenhas usou seu tempo regimental para rebater as acusações. O parlamentar exibiu documentos que, segundo ele, comprovam que Alex acumula o cargo de carteiro dos Correios com o de assessor parlamentar da Câmara, com carga horária incompatível. Geremias também levantou questionamentos sobre a remuneração da esposa de Alex, que atua na área de educação.

“Você é uma pessoa repugnante, abjeta, desprezível, mal intencionada, maldosa, manipuladora”, declarou Geremias, que também acusou o carteiro de ter feito “ilação de pedofilia” contra sua pessoa.

Alex, por sua vez, afirmou ter registrado denúncia na ouvidoria dos Correios e questionou se as acusações de “ladrão de terras” eram direcionadas a ele. “Quantas mães o senhor já fez chorar? O senhor já pensou?”, indagou.

Solidariedade e defesa mútua entre vereadores

Diversos vereadores se manifestaram em defesa de Alex ou para relatar experiências de ataques pessoais supostamente proferidos por Geremias. O vereador Dedé Silva afirmou que o colega “não tem ética de cidadão” e que já fez chacota de outros parlamentares, incluindo a vereadora Alécia Dumas, os vereadores Léo de Arizona, Walmir e Jurandi.

O vereador Jurandi, visivelmente emocionado, relatou ter sido chamado de “covarde” e de “vendido” pelo colega, e pediu desculpas à população de Wanderley pelos acontecimentos da sessão.

Já o vereador Guilherme de Olhos d’Água rebateu acusações de Geremias sobre supostas promessas de cirurgias em troca de votos. “Eu não tenho medo de ninguém. Processe, faça o que quiser”, afirmou.

Decisão judicial suspende atos da comissão processante

No final da sessão, o vereador Geremias Mascarenhas anunciou uma decisão judicial de caráter liminar que suspende os atos praticados pela comissão processante instaurada contra ele por quebra de decoro parlamentar. Segundo o parlamentar, o juiz da comarca de Cotegipe determinou a anulação dos editais de notificação e concedeu prazo de 10 dias para que a comissão apresente a forma como o vereador foi notificado, além de garantir o direito à ampla defesa.

A presidente da comissão, vereadora Alécia Dumas, confirmou a decisão, mas esclareceu que o processo não foi extinto, apenas suspenso para regularização das notificações. “O juiz entendeu que houve problema especificamente na forma como ele foi notificado por edital”, explicou.

Geremias, no entanto, contestou a versão da comissão, afirmando que houve inversão na ordem das diligências e que não lhe foi garantido acesso às provas ou designado advogado, conforme prevê o regimento interno da Casa.

Denúncia de sabotagem a poço artesiano

Outro tema de destaque foi a denúncia do vereador Guilherme de Olhos d’Água sobre o entupimento de um poço artesiano na comunidade de Poço da Onça, na Vila Baianópolis. Segundo o parlamentar, o poço, perfurado com emenda do deputado federal Neto Carleto e articulado pela presidente da Codevasf, Márcia Satéles, foi sabotado com pedras e lachas.

“Quem perde com isso é a população. Não existe isso”, lamentou Guilherme, que informou que providências jurídicas já foram tomadas junto à Codevasf, Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Federal.

Demandas da comunidade e avisos

A sessão também foi marcada por diversos pedidos e cobranças dos vereadores:

  • Daniel Silva solicitou um cronograma de iluminação pública para as comunidades e cobrou providências sobre o trânsito na via que liga o hospital à Praça do Milho. O vereador também divulgou cursos de pedreiro e eletricista que serão oferecidos pelo sindicato em outubro, além de uma palestra sobre bem-estar emocional no âmbito do Setembro Amarelo.

  • Walmir Nascimento agradeceu à gestão municipal por atendimento na área da saúde e solicitou rondas policiais na comunidade da Goiabeira nos finais de semana.

  • Alécia Dumas pediu iluminação para as laterais da quadra de esportes e cobrou a conclusão da iluminação em diversas localidades, como Santa Maria, Lagoa do Tió e Lagoa do Nato.

  • Léo de Arizona defendeu a presença da Polícia Militar na Casa e pediu que a paz volte a reinar nas sessões.

  • Dedé Silva defendeu sua gestão à frente da Câmara e rebateu acusações sobre o pagamento de 13º salário aos vereadores em 2024, que teve as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios.

O presidente da sessão também comunicou que o programa “Saúde Perto de Você” acontecerá no dia 25 de setembro na escola Adolfo Soares de Magalhães, em Olhos d’Água, com atendimentos médicos, odontológicos, exames e vacinação.

A sessão foi encerrada após a suspensão de 10 minutos para análise da documentação judicial apresentada por Geremias Mascarenhas.

Por Marcio Brito | Wandeko Webrádio