Os vereadores usaram a tribuna para expor problemas crônicos do município, como estradas esburacadas, falta de iluminação pública, a situação de abandono do cemitério local e a demora na resposta aos requerimentos enviados ao Poder Executivo.
A sessão, transmitida pelas redes sociais, foi aberta pelo presidente da Casa, Rafael Saldanha, por volta das 19h (horário local), com uma leitura bíblica e orações conduzidas pelo assessor Leno.
Expediente e Matérias Oficiais
Durante o expediente, foram lidos ofícios legislativos, incluindo o envio ao prefeito Camargo Antônio Pinto Crisóstomo dos Projetos de Lei nº 1/2026 (que prorroga a vigência do Plano Municipal de Educação) e nº 2/2026 (sobre pagamento de débitos de pequeno valor decorrentes de decisões judiciais), ambos aprovados na sessão anterior.
A Casa também recebeu um convite da Secretaria Municipal de Assistência Social para a “Caminhada em alusão ao 18 de maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, que ocorrerá no próximo dia 18, saindo do CRAS.
Tribuna Livre: As Principais Demandas dos Vereadores
Na tribuna, os parlamentares utilizaram o tempo para levantar críticas, fazer pedidos e apresentar denúncias. Os principais temas foram:
1. Situação crítica do cemitério municipal
Um dos assuntos mais debatidos e que gerou comoção entre os vereadores foi o estado de abandono do cemitério local. O vereador Léo de Arizona iniciou as reclamações, informando que o muro está baixo e caído, a iluminação não funciona e há registros de vandalismo, incluindo furto de placas de mármore e metais de túmulos.
“Hoje mesmo recebi um vídeo de um fogo lá dentro. É absurdo. Às vezes as pessoas levam as pedras para colocar na sepultura e, uma semana depois, não está mais”, lamentou Léo.
O presidente Rafael Saldanha reforçou o pedido, relatando que as cantoneiras de alumínio da sepultura de seu pai foram arrancadas para venda. O vereador Dedé Silva afirmou que a cobrança pelo muro do cemitério se arrasta há mais de 10 anos na Casa. Guilherme de Olhos d’Água completou informando que o vigia noturno foi ameaçado e não quer mais trabalhar no local.
2. Falta de resposta aos requerimentos e o “engavetador de papéis”
Diversos vereadores criticaram a falta de retorno do Executivo municipal aos requerimentos enviados pela Câmara. A vereadora Alécia Dumas pediu que o secretário responsável informe se as solicitações serão atendidas ou não.
“Fica chato a gente estar todas as sessões cobrando aquilo que já requerimos e a gente fica sem resposta”, desabafou.
O presidente Rafael Saldanha foi enfático ao criticar o que chamou de “engavetador de requerimentos” na prefeitura. “Graças a Deus, o que tem acontecido no município é porque nós temos acesso ao prefeito. Se dependesse da gaveta do secretário, não saía nada”, afirmou.
3. Infraestrutura: estradas, ruas e escolas
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Estradas vicinais: Foram citadas más condições nas estradas de Quixabeira (vereador Léo de Arizona), Goiabeira (vereador Walmir), Itapira e Santa Maria (vereadora Alécia). A boa qualidade do serviço na estrada de Olhos d’Água foi exceção e elogiada.
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Ruas na sede: O loteamento Piauí foi citado pelo vereador Guilherme com imagens mostrando esgoto a céu aberto na rua principal. A rua dos fundos da prefeitura também foi lembrada por Alécia como um problema recorrente.
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Escolas: O vereador Walmir Nascimento reforçou o pedido de manutenção dos aparelhos de ar condicionado na Escola Antônio Barbosa Pinto (comunidade de Goiabeira). O vereador Daniel Silva cobrou a instalação de câmeras de segurança nas escolas e um transporte exclusivo para alunos da região de Quixabeira/Pau D’Arco.
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Cemitério e escola sem muro: Walmir Nascimento também pediu a construção do muro da Escola Antônio Barbosa Pinto, alegando que pessoas de fora entram no pátio e atrapalham as aulas.
4. Denúncias e fiscalização de gastos públicos
Em seu discurso, o vereador Geremias Mascarenhas fez duras críticas e levantou suspeitas sobre licitações e obras. Ele questionou:
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Uma licitação de R$ 543 mil para compra de pneus, calculando que seriam necessários 152 veículos para justificar o total de 608 pneus.
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Um contrato de quase R$ 452 mil para confecção de uniformes (incluindo roupas para servidores, alunos, agentes de saúde e grupos da melhor idade), feito com a associação de costureiras local, mas cuja entrega dos uniformes escolares ainda é incerta.
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O pagamento de cerca de R$ 3 milhões pela administração atual para concluir casas iniciadas na gestão anterior (da ex-prefeita Fernanda), oriundas de um convênio com a antiga Funasa (hoje vinculada ao Ministério das Cidades). Geremias mostrou um vídeo de setembro de 2024 em que as casas já eram dadas como prontas. O presidente Rafael Saldanha explicou que o pagamento ocorre por medição do engenheiro.
“Errado não é quem constrói uma base de caixa d’água que cai. Errado é quem contrata esse tipo de gente para fazer o serviço”, criticou Geremias, referindo-se à queda de uma estrutura na Escola Adolfo de Magalhães, denunciada por Guilherme.
Encerramento e Pauta
Ao final da sessão, o presidente Rafael Saldanha informou que não havia projetos, requerimentos ou indicações prontos para votação naquela noite, citando novamente a falta de celeridade do Executivo em responder às demandas da Casa.
“Não temos requerimento para votar, não temos indicação. Graças a Deus, não vai nada para votação hoje. Amanhã não irá papel para lá”, declarou Saldanha, encerrando a sessão.
A próxima sessão ordinária está marcada para segunda-feira, 18 de maio, data em que também ocorrerá a Caminhada de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Assista na Íntegra a ransmissão abaixo:
Por Marcio Brito | Wandeko Web Rádio


